Leis e Documentação · 法律

Apostila de Haia para Uso na China: O Guia Definitivo

Desde novembro de 2023, a China aceita a Apostila de Haia. Veja o passo a passo oficial para apostilar diplomas, certidões e procurações brasileiras.

Por Stefany S. F. Zhao·
Passaporte brasileiro sobre documentos, representando a legalização de papéis para o exterior

Desde 7 de novembro de 2023, a República Popular da China (China Continental) passou oficialmente a integrar a Convenção da Apostila da Haia de 1961, representando uma das maiores mudanças dos últimos anos para brasileiros que precisam apresentar documentos oficiais naquele país.

A alteração eliminou um procedimento burocrático que, durante décadas, exigia diversas etapas de autenticação perante autoridades brasileiras e consulados chineses. Atualmente, na maioria dos casos, basta uma única certificação: a Apostila de Haia.

Seja para casamento, estudos, trabalho, vistos, negócios, processos judiciais ou reconhecimento de documentos, entender corretamente esse procedimento evita atrasos, gastos desnecessários e recusas por parte das autoridades chinesas.

Este guia apresenta, de forma detalhada e baseada nas normas oficiais brasileiras e internacionais, tudo o que você precisa saber para utilizar documentos brasileiros na China.

O que é a Apostila de Haia?

A Apostila da Haia é um certificado internacional criado pela Convenção de Haia de 5 de outubro de 1961, tratado internacional que simplifica o reconhecimento de documentos públicos entre os países signatários.

Em vez de passar por diversos órgãos públicos e consulados para confirmar a autenticidade de um documento, basta que ele receba uma apostila emitida pela autoridade competente do país de origem.

No Brasil, a Convenção entrou em vigor em 14 de agosto de 2016, sendo regulamentada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A emissão das apostilas é realizada pelos cartórios autorizados pelo CNJ em todo o território nacional.

Em termos simples, a Apostila de Haia certifica:

  • a autenticidade da assinatura;
  • a qualidade em que o signatário atuou;
  • a autenticidade do selo ou carimbo constante no documento.

É importante destacar que a apostila não certifica o conteúdo do documento, apenas sua origem oficial.

A entrada da China na Convenção: uma mudança histórica

Até novembro de 2023, qualquer documento brasileiro destinado à China precisava passar por um procedimento conhecido como legalização consular.

Esse processo normalmente envolvia:

  • emissão do documento;
  • reconhecimento de firma (quando necessário);
  • autenticação em órgãos competentes;
  • legalização pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty);
  • legalização final no Consulado ou na Embaixada da China.

Dependendo do documento, o procedimento podia levar várias semanas ou até meses.

Com a adesão da China à Convenção da Apostila de Haia, todo esse fluxo foi praticamente eliminado.

Hoje, um documento brasileiro normalmente precisa apenas ser apostilado por um cartório autorizado.

Antes da Convenção

  • diversas autenticações sucessivas;
  • legalização pelo Itamaraty;
  • legalização obrigatória no Consulado Chinês;
  • custos elevados;
  • processo lento.

Depois da Convenção

  • apenas uma Apostila de Haia;
  • dispensa da legalização consular;
  • menor custo;
  • procedimento muito mais rápido;
  • maior segurança jurídica.

Na prática, um procedimento que antes podia durar meses passou, em muitos casos, a ser resolvido no mesmo dia.

Hong Kong e Macau

É importante fazer uma distinção.

As Regiões Administrativas Especiais de Hong Kong e Macau já aplicavam a Convenção da Apostila antes mesmo da adesão da China Continental.

Assim, documentos destinados especificamente a Hong Kong ou Macau já utilizavam o sistema de apostilamento, embora cada região possua suas próprias autoridades competentes.

Desde novembro de 2023, esse benefício foi estendido também à China Continental.

Quais documentos podem ser apostilados?

Praticamente todos os documentos públicos brasileiros podem receber uma Apostila de Haia.

Entre os mais comuns estão:

Documentos de registro civil

  • Certidão de nascimento;
  • Certidão de casamento;
  • Certidão de óbito;
  • Certidão de união estável.

Documentos acadêmicos

  • Diploma;
  • Histórico escolar;
  • Certificado de conclusão;
  • Declarações emitidas por instituições de ensino.

Documentos criminais

  • Certidão de antecedentes criminais da Polícia Federal;
  • Certidões expedidas pelos Tribunais de Justiça.

Documentos notariais

  • Procurações;
  • Escrituras públicas;
  • Declarações reconhecidas em cartório;
  • Atas notariais.

Documentos judiciais

  • Sentenças;
  • Decisões judiciais;
  • Cartas de sentença;
  • Certidões processuais.

Traduções juramentadas

Quando realizadas por Tradutor Público Juramentado, também podem ser apostiladas.

Documentos particulares podem ser apostilados?

Sim, mas existe uma condição importante.

Documentos privados, como:

  • contratos particulares;
  • declarações pessoais;
  • autorizações;
  • cartas;

não podem ser apostilados diretamente.

Primeiro, é necessário transformá-los em documentos aptos ao apostilamento, normalmente por meio de:

  • reconhecimento de firma;
  • escritura pública;
  • autenticação notarial.

Somente após esse procedimento será possível solicitar a apostila.

Passo a passo para apostilar documentos destinados à China

1. Obtenha uma via atualizada do documento

Algumas autoridades chinesas exigem documentos emitidos recentemente, especialmente certidões civis.

Em muitos casos, aceita-se apenas documentos expedidos há menos de 90 ou 180 dias.

Sempre confirme essa exigência antes de iniciar o processo.

2. Providencie a tradução

Embora a Apostila autentique o documento, ela não substitui a tradução.

Em regra, autoridades chinesas exigem tradução para o mandarim.

Ela pode ser realizada:

  • por Tradutor Público Juramentado no Brasil;
  • por empresa ou agência autorizada na China (quando aceito pelo órgão destinatário).

Algumas instituições exigem especificamente tradução juramentada brasileira.

Outras aceitam traduções realizadas na própria China.

Por isso, a confirmação prévia junto ao órgão receptor é indispensável.

3. Vá a um cartório autorizado pelo CNJ

A Apostila pode ser emitida em qualquer cartório habilitado.

Não importa em qual estado brasileiro o documento foi expedido.

Por exemplo:

Um diploma emitido em Minas Gerais pode ser apostilado em São Paulo, Paraná ou qualquer outro estado.

4. Solicite a Apostila

Cada documento recebe sua própria apostila.

Se houver tradução juramentada, normalmente ela também receberá outra apostila.

Assim, é comum haver:

  • uma apostila para o documento original;
  • outra apostila para a tradução.

Cada uma possui custo independente.

5. Verifique todas as informações

Antes de deixar o cartório, confira cuidadosamente:

  • nomes completos;
  • números dos documentos;
  • datas;
  • assinaturas;
  • QR Code;
  • número da Apostila.

Qualquer erro poderá gerar recusas perante as autoridades chinesas.

Principais situações em que brasileiros utilizam a Apostila na China

Trabalho

Empresas e órgãos responsáveis pelo visto de trabalho costumam exigir:

  • diploma;
  • antecedentes criminais;
  • certidão de nascimento;
  • certidão de casamento (quando aplicável).

Todos normalmente apostilados.

Estudos

Universidades chinesas frequentemente solicitam:

  • diploma;
  • histórico escolar;
  • certificados acadêmicos.

Casamento

Para casamento com cidadão chinês ou registro de casamento perante autoridades chinesas, geralmente são exigidos:

  • certidão de nascimento;
  • certidão de estado civil;
  • documentos de identidade;
  • eventuais declarações complementares.

Negócios

Empresários frequentemente apostilam:

  • procurações;
  • contratos;
  • documentos societários;
  • atas;
  • certidões empresariais.

Esses documentos permitem representação de empresas, abertura de negócios e diversos atos comerciais perante autoridades chinesas.

Cuidados importantes

Apesar da enorme simplificação trazida pela Convenção, alguns cuidados continuam sendo fundamentais.

A Apostila da Haia não garante automaticamente que o documento será aceito pelo órgão chinês.

Cada instituição mantém autonomia para analisar:

  • validade temporal do documento;
  • necessidade de tradução;
  • documentos complementares;
  • requisitos específicos do procedimento.

Além disso, alguns órgãos chineses ainda estão adaptando seus procedimentos internos desde a adesão à Convenção.

Por esse motivo, recomenda-se sempre entrar em contato previamente com a universidade, empresa, repartição pública ou autoridade competente antes de iniciar qualquer processo documental.

Perguntas frequentes (FAQ)

A Apostila substitui o Consulado Chinês?

Sim. Desde 7 de novembro de 2023, a legalização consular foi dispensada para documentos entre Brasil e China Continental abrangidos pela Convenção.

A Apostila possui prazo de validade?

A apostila, em si, não possui validade determinada. Entretanto, o documento apostilado pode ter prazo de validade conforme a legislação ou as exigências do órgão que o receberá.

Posso apostilar uma cópia autenticada?

Depende do tipo de documento. Alguns podem ser apostilados em cópia autenticada, enquanto outros exigem o original.

Preciso apostilar a tradução?

Na maioria dos procedimentos internacionais, sim. Quando a tradução juramentada for exigida, normalmente ela também deverá receber uma Apostila própria.

Posso apostilar documentos digitais?

Sim. Diversos documentos eletrônicos emitidos por órgãos públicos brasileiros também podem ser apostilados, desde que atendam às exigências legais.

Fontes oficiais

Para garantir informações sempre atualizadas, consulte:

  • Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
  • Conferência da Haia de Direito Internacional Privado (HCCH);
  • Embaixada da República Popular da China no Brasil;
  • Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).
  • Apostilamento Eletrônico (e-Apostille): uma alternativa rápida e moderna

Além do apostilamento tradicional em papel, o Brasil também oferece o apostilamento eletrônico (e-Apostille) para documentos digitais que atendam aos requisitos legais.

Essa modalidade permite que todo o procedimento seja realizado de forma online, sem a necessidade de apresentar documentos físicos em cartório, desde que o documento eletrônico possua assinatura digital verificável, emitida por autoridade competente.

Na prática, isso significa que diversos documentos emitidos originalmente em formato digital podem ser apostilados eletronicamente, como:

  • diplomas de graduação e pós-graduação emitidos digitalmente;
  • históricos escolares eletrônicos;
  • certificados digitais;
  • documentos assinados eletronicamente por órgãos públicos;
  • outros documentos públicos com certificação digital válida.

Uma das principais vantagens é a rapidez. Em muitos casos, o apostilamento eletrônico pode ser concluído em poucas horas ou até mesmo no mesmo dia útil, dependendo do cartório responsável. Há relatos de solicitações concluídas em menos de 24 horas.

O apostilamento eletrônico é aceito na China?

A China aderiu à Convenção da Apostila da Haia, o que permite o reconhecimento de apostilas emitidas conforme as regras da Convenção. Entretanto, a aceitação de documentos originalmente eletrônicos pode variar conforme o órgão ou instituição chinesa responsável pelo procedimento.

Por isso, antes de optar pelo apostilamento eletrônico, recomenda-se confirmar com a universidade, empregador, cartório de registro civil ou autoridade chinesa se documentos digitais apostilados são aceitos para o processo específico.

Quando houver dúvida, a apresentação do documento físico apostilado continua sendo a alternativa mais segura.

Conclusão

A adesão da China Continental à Convenção da Apostila da Haia representou um avanço significativo na cooperação jurídica internacional e simplificou profundamente a circulação de documentos entre Brasil e China.

O que antes exigia semanas de procedimentos, múltiplas autenticações e legalizações consulares pode, atualmente, ser resolvido por meio de um único ato realizado em cartório autorizado.

Ainda assim, a organização continua sendo essencial. O sucesso do procedimento depende de seguir corretamente cada etapa: obter documentos atualizados, providenciar a tradução exigida, solicitar a apostila correspondente e confirmar previamente todas as exigências da instituição chinesa que receberá a documentação.

Com planejamento adequado e observância das normas aplicáveis, brasileiros que pretendem estudar, trabalhar, casar, empreender ou residir na China podem realizar seus processos documentais com muito mais rapidez, segurança jurídica e previsibilidade.

Fontes Oficiais

Importante: Embora a Apostila da Haia dispense a antiga legalização consular entre Brasil e China Continental, cada órgão chinês pode estabelecer requisitos próprios quanto ao tipo de documento, prazo de validade e necessidade de tradução. Antes de iniciar qualquer procedimento, confirme as exigências diretamente com a instituição, universidade, empregador ou autoridade chinesa responsável pelo processo.

Receba no seu e-mail

Novidades da China, sem complicação

Guias, notícias e dicas práticas sobre cultura, idioma, viagens e vida na China — direto para você.